O preço da passagem aérea caiu 13,30% em agosto, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE em 26 de agosto, e foi um dos itens que puxaram a prévia da inflação para o campo negativo. No mesmo mês, o dólar encerrou agosto perto de R$ 5,14, acumulando recuo de 5,60% em 2026. Os dois maiores custos de uma viagem internacional caíram ao mesmo tempo, e isso abre uma janela concreta para quem planeja sair do país até o fim do ano.
O que o IBGE mediu em agosto
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,40% em agosto de 2026. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,29%. No acumulado de 12 meses, o índice desacelerou para 4,24%, ante 4,52% no período anterior.
Dentro do índice, o grupo Transportes recuou 1,00% e teve impacto de 0,20 ponto percentual para baixo no resultado geral. A passagem aérea foi o item mais relevante desse grupo, com queda de 13,30%. Os combustíveis também recuaram, com média de 1,43%, puxada por etanol em queda de 3,63% e gasolina em queda de 1,23%.
Uma correção depois do pico de julho
A leitura de agosto precisa ser lida junto com o mês anterior. Em julho, dados do IBGE apontavam que a passagem aérea acumulava alta de 41,9% em 12 meses, conforme levantamento publicado pelo Brasilturis. O viajante que pesquisou tarifa em julho e desistiu por causa do preço viu o mesmo trecho ficar consideravelmente mais barato poucas semanas depois.
No câmbio, o movimento vem de mais longe. O dólar acumula queda de 5,60% no ano até 31 de agosto, segundo apuração da InfoMoney, e começou setembro na casa de R$ 5,14. Para quem compra em moeda estrangeira, cada centavo a menos se multiplica por hospedagem, alimentação, passeios e transporte no destino.
O que muda para quem vai viajar
Passagem e câmbio são as duas maiores linhas do orçamento de uma viagem internacional. Quando as duas cedem no mesmo mês, o efeito no custo total é maior do que a soma das partes, porque a economia na passagem libera orçamento para o que se gasta no destino.
Na prática, quem tem viagem prevista para outubro, novembro ou dezembro está diante de uma janela favorável para fechar aéreo e comprar moeda. Vale lembrar que a passagem aérea é um dos itens mais voláteis da cesta do IBGE, e uma queda mensal não significa tendência. No câmbio, analistas ouvidos pela InfoMoney esperam volatilidade maior nas próximas semanas, com os juros no Brasil e nos Estados Unidos e o calendário eleitoral pesando na moeda. A janela existe agora, mas não há garantia de que estará aberta em novembro.
A leitura da LC Turismo
Operando destinos internacionais para brasileiros há seis anos, o padrão que observamos é claro: o brasileiro decide viagem internacional em semanas, não em dias. Quem trava a passagem e a moeda em uma janela de queda e organiza os passeios depois costuma gastar menos no total do que quem tenta acertar todos os componentes no mesmo dia.
O erro mais caro que vemos é o oposto. É escolher o mês da viagem apenas pelo preço da passagem, sem olhar clima, temporada e o que efetivamente funciona no destino naquele período. Passagem barata em mês errado costuma sair mais cara do que passagem cheia em mês certo, porque o passeio principal fecha, chove, ou a experiência não entrega o que a pessoa foi buscar. A conta certa junta as três variáveis: tarifa, câmbio e calendário do destino.
Para quem está avaliando destinos na América do Sul, no México, no Caribe ou nos Estados Unidos e quer entender qual mês faz sentido para o roteiro que tem em mente, a equipe da LC Turismo monta a análise por destino. Veja as opções em lucascarvalhoturismo.com.br.