Dicas de Viagem

Céus abertos na América do Sul: o que o Acordo Alas muda para quem viaja a Chile, Argentina e Peru

Por Lucas Carvalho · 7 de Setembro de 2026 · 4 min de leitura

O Ministério de Portos e Aeroportos formalizou a adesão de Uruguai e Bolívia ao Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana, o Alas, que passa a reunir seis países ao lado de Brasil, Argentina, Chile e Paraguai. Na mesma ocasião, Brasil, Uruguai e Bolívia assinaram acordos bilaterais que passam a contemplar a chamada 7ª Liberdade do Ar. Para o brasileiro que viaja para Santiago, Buenos Aires, Lima ou Bogotá, é o passo mais concreto até agora rumo a um mercado aéreo integrado na América do Sul.

O que é o Acordo Alas

O Alas foi instituído por um memorando de entendimento assinado inicialmente por Brasil, Argentina, Chile e Paraguai. O documento não altera regra de bilhete nem preço de passagem de imediato. Ele cria um grupo de trabalho que tem doze meses para elaborar estudos e propostas de harmonização de normas entre os países signatários, com o objetivo de integrar gradualmente os mercados de aviação civil da região.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os estudos vão cobrir segurança operacional, segurança da aviação civil, regulação econômica, direitos dos passageiros e concorrência. O ministro Tomé Franca afirmou que a iniciativa fortalece a integração econômica, social e cultural da América Latina e torna a região mais competitiva no cenário internacional. O acordo segue aberto à adesão de outros países sul-americanos.

A 7ª Liberdade do Ar, explicada sem jargão

A parte que mais interessa a quem compra passagem é a sétima liberdade. Ela permite que uma companhia designada por um país opere voos internacionais entre dois outros países, sem que a rota precise começar ou terminar no território de origem da empresa. Na prática, abre a porta para uma aérea brasileira manter uma ligação fixa entre Buenos Aires e Santiago, por exemplo, sem que o avião toque solo brasileiro. É um degrau acima da quinta liberdade, que já permite embarcar passageiros em um terceiro país como trecho de um voo iniciado no Brasil.

O que muda para o viajante brasileiro

Mais companhias autorizadas a disputar a mesma rota tende a significar mais assentos disponíveis e pressão de baixo para cima na concorrência. Rotas hoje dominadas por poucas empresas, como as ligações entre capitais brasileiras e Santiago, Buenos Aires e Lima, seriam as primeiras a sentir. Também facilita a montagem de roteiros multidestino, do tipo Chile mais Argentina na mesma viagem, porque o trecho entre os dois países deixa de depender exclusivamente das aéreas locais.

O efeito, porém, não é para amanhã. Reportagens da Gazeta do Povo apontam que a implementação esbarra em entraves regulatórios e no custo operacional alto de voar no Brasil, com destaque para a tributação sobre o querosene de aviação. Além disso, o próprio grupo de trabalho tem doze meses pela frente e não existe data definida para as novas regras entrarem em vigor. Quem está comprando passagem para 2026 e 2027 não deve contar com essa economia no orçamento.

O movimento concreto de curto prazo vem de outro lado. Até setembro de 2026, a Agência Nacional de Aviação Civil autorizou 64 novas rotas internacionais e 16 frequências semanais adicionais partindo do Brasil, incluindo ligações com a América do Sul. Esse aumento de oferta já está no ar e é o que efetivamente muda a disponibilidade de assento neste ano.

A leitura da LC Turismo

Operando 16 destinos em 7 países, a LC Turismo acompanha esse tipo de decisão porque ela define como o roteiro é montado. Hoje, quem quer emendar Santiago com Buenos Aires ou Lima com Cusco depende de janelas de voo restritas, e essa restrição costuma ser o motivo real de um roteiro perder um dia inteiro em conexão. Um mercado aéreo integrado na região resolveria boa parte disso. Enquanto o acordo amadurece, a saída continua sendo o planejamento: escolher a ordem certa dos destinos, respeitar o tempo mínimo de conexão e comprar com antecedência nos períodos de pico, como julho e a virada do ano.

A recomendação prática para 2026 é simples. Trate o Alas como uma boa notícia de médio prazo e não como desconto garantido. Monte a viagem com os voos que existem hoje, aproveite a expansão de malha já autorizada pela Anac e deixe a promessa de céus abertos para quando houver calendário oficial.

Céus abertos na América do Sul: o que muda para quem viaja a Chile, Argentina e Peru

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Lucas Carvalho
Lucas CarvalhoFundador da LC Turismo. Desde 2019 levando brasileiros para 18 destinos em 8 países, com mais de 700 mil atendimentos. @lucascarvalhochile

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