Um estudo divulgado nesta semana confirma o que quem trabalha com turismo na região já sentia na prática: o brasileiro é o turista que mais contrata passeios e atrações na América Latina. Nada de ficar preso na piscina do resort. O brasileiro paga para sair, ver e fazer, e gasta mais fazendo isso do que argentinos e mexicanos.
O que o estudo revela sobre o brasileiro viajante
A pesquisa The Latin American Experiences Traveler, conduzida pela Arival e pela Phocuswright a pedido da Civitatis com dados do primeiro semestre de 2026, mapeou o comportamento de compra de passeios e atrações de viajantes latino americanos. O resultado coloca o Brasil na liderança de volume: em média, cada viajante brasileiro reserva 4,4 atrações, 4,4 atividades e 3,1 passeios guiados por viagem.
Os números de participação também chamam atenção. 96% dos brasileiros visitaram pelo menos uma atração na última viagem internacional, 87% fizeram algum passeio guiado e 77% participaram de uma atividade turística. O Brasil superou Argentina e México em volume de experiências contratadas, ainda que o mexicano gaste mais por experiência individual.
Indicador Brasileiro em viagem à América Latina Gasto médio por viagem US$ 2.699 por pessoa Permanência média 8 noites Gasto médio por passeio US$ 73 a US$ 80 Viajam 4 ou mais vezes por ano 30% dos brasileiros
Passeios em alta: por que o brasileiro não fica parado
Tem um dado no estudo que explica bastante sobre como esse brasileiro decide o que comprar. 93% consideram as avaliações de outros viajantes o fator decisivo na hora de escolher um passeio. A inteligência artificial, tão comentada em 2026, pesa na decisão de apenas 42%. Ou seja, o brasileiro confia em quem já foi, não em algoritmo. Isso é ainda mais forte para quem viaja em casal, que hoje representa a maior parte dos viajantes internacionais do país: antes de fechar o roteiro, casal pesquisa, lê comentário, compara.
Faz sentido. Passeio é a parte da viagem que vira memória. Ninguém lembra do quarto do hotel, lembra do dia em Cartagena ou da manhã no Atacama. E quando o brasileiro gasta em média US$ 2.699 por viagem, com boa parte disso indo para atrações e passeios, ele está pagando por experiência, não por diária.
Câmbio ainda pesa, mas há como fazer o dinheiro render mais
O dólar seguiu em torno de R$ 5,14 em setembro de 2026, depois de bater R$ 5,32 em março. Isso encarece passagem, hotel e aluguel de carro em destinos que cobram em dólar. É por isso que Chile, Colômbia, Peru e Uruguai aparecem como as escolhas mais inteligentes do momento: proximidade geográfica reduz o custo da passagem e o custo de vida local ainda é mais baixo que em destinos como Estados Unidos ou Europa.
É exatamente onde o gasto do brasileiro em passeios rende mais. O mesmo orçamento que compra três ou quatro passeios em um destino caro compra o dobro em San Pedro de Atacama, em Cartagena ou em Cusco. E como o estudo mostra que o brasileiro já está disposto a gastar com experiência, a decisão inteligente é escolher o destino onde esse gasto vai mais longe.
A leitura da LC Turismo
A gente vê esse comportamento todo dia no balcão. Cliente que compra um passeio raramente compra só um. Fecha o pacote e depois pergunta se dá para adicionar mais uma experiência, mais um dia de passeio. É o padrão que o estudo confirma em números. Outra coisa que a gente reforça sempre: em destino estrangeiro, atendimento no seu idioma muda a viagem inteira. Fora de Santiago, é raro achar operador com guia em português de verdade, e isso pesa mais do que parece na hora de aproveitar o passeio sem perder informação.
Se o brasileiro é o turista que mais investe em passeio na América Latina, o próximo passo lógico é planejar esse investimento direito: destino com bom câmbio, roteiro com passeios que valem a pena e um operador que fala a sua língua, do orçamento ao dia da excursão.
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