O real fechou a segunda quinzena de maio de 2026 no nível mais forte em mais de dois anos, com o dólar oscilando perto de R$4,90 em alguns pregões. Para quem planeja uma viagem internacional neste ano, isso muda diretamente a conta final do roteiro.
O que está acontecendo com o câmbio
Ao longo de maio, a moeda americana variou entre cerca de R$4,98 e R$5,07, depois de ter recuado em abril para o menor patamar em aproximadamente dois anos, quando chegou a ser cotada a R$5,05. O real, por sua vez, atingiu o nível mais valorizado desde 2024. O movimento reflete uma combinação de fatores externos e internos, e parte dos analistas tem tratado a janela atual como um bom momento para formar um preço médio de dólar voltado a viagens.
Para o setor de turismo, câmbio é uma variável de peso. Cada centavo a menos no dólar reduz o custo de passagens internacionais, hospedagem, passeios e alimentação no destino. Não por acaso, a procura por roteiros fora do Brasil costuma acompanhar de perto o humor da moeda. Quando o real ganha força, a viagem que parecia distante volta ao orçamento de muita gente.
O que muda para o viajante brasileiro
Na prática, o real mais valorizado amplia o poder de compra do brasileiro no exterior. Um roteiro que parecia apertado há alguns meses pode caber agora, e quem já tinha a viagem no radar ganha margem para escolher uma hospedagem melhor ou incluir passeios extras. A diferença aparece com clareza em destinos onde o gasto diário pesa, como restaurantes, transfers e ingressos de atrações.
Vale lembrar que a forma de pagamento também influencia o resultado. Compras no cartão internacional têm incidência de IOF de 3,5%. No cartão pré-pago, vale a cotação do dia da recarga. Nos cartões de crédito tradicionais, considera-se o câmbio do dia do fechamento da fatura, o que adiciona uma dose de incerteza. Por isso, muitos viajantes têm optado por comprar dólar em partes ao longo das semanas, formando um preço médio e reduzindo o risco de uma alta repentina.
A janela do dólar e o calendário de viagens
O timing do câmbio conversa bem com o calendário do segundo semestre. O Chile, um dos destinos mais procurados por brasileiros, entra na temporada de neve entre junho e setembro, com os centros de esqui próximos a Santiago no auge da estação. A Argentina, com Bariloche e Ushuaia, e o Peru, com Cusco e Machu Picchu, completam a lista de roteiros sul-americanos que ficam mais atrativos com a moeda em alta. Para quem prefere praia, Punta Cana, no Caribe, segue forte o ano inteiro.
O Chile, inclusive, vem sendo destacado como um dos melhores destinos internacionais do ano, combinação que une paisagens variadas, boa infraestrutura e um custo relativamente acessível para o público brasileiro. Com o real mais forte, essa relação de custo e benefício melhora ainda mais para quem decide fechar a viagem agora.
Planejar continua sendo decisivo
A leitura da LC Turismo é direta: câmbio favorável é oportunidade, mas não substitui planejamento. Ingressos de atrações como Machu Picchu esgotam meses antes da data. A alta temporada de neve no Chile lota acomodações e centros de esqui. Transfers e passeios precisam ser reservados com antecedência para não sair mais caro na última hora. Aproveitar a janela do dólar exige fechar o roteiro cedo, e não improvisar na semana da viagem.
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